O triste fim do pequeno menino ostra

E eu ia dormir. Eu decidi desligar tudo, tomar um banho e cair na cama, já que são mais de 2 horas da manhã. Mas enquanto tomava banho pensava em todas as coisas que estão dentro da minha cabeça ha tanto tempo, praticamente saindo pelos ouvidos e gritando pra dentro de volta: “escreve, porra!” e achei que se não escrevesse logo, ia pirar.

O título do post é o nome de um livro do Tim Burton que estou lendo. É um livro infantil – que de infantil não tem absolutamente nada, a não ser que histórias sobre frustrações, anomalias, traumas e terrível humor negro sejam infantis – bem a cara dele. Estranho mundo de Jack, James e o pêssego gigante, Noiva Cadáver… Enfim. Ele não tem nada a ver com as coisas que ando pensando, mas curti este nome. Acho que serve de metáfora pra uma porrada de coisas que andam acontecendo ultimamente.

Eu vejo Ostra,  uma barreira construída em volta do que realmente importa, com uma casca feia e grossa que protege o que vai dentro de qualquer ameaça externa… e vejo a vida, a minha, um mar todo fora de dentro, azul e cheio de coisas que nunca ninguém vai sequer chegar perto de ser capaz de entender. Fora do casulo. Fora da proteção, fora de onde é seguro.

Eu passei muito tempo da minha vida espiando de dentro de uma ostra as coisas acontecendo lá fora, sem ter coragem ou força de vontade de fazer alguma coisa a respeito. E quando finalmente a própria vida me chacoalhou tanto que fui despejada meio sem querer querendo, me vi obrigada a me adaptar às correntes vindas de todas as partes, trazendo pessoas e coisas completamente diferentes com as quais eu precisei lidar para não ser carregada junto ou enterrada na areia no meio da bagunça toda. E isso me fez tão bem, me fez tão gente, que olhando ao redor de todas as coisas na minha vida hoje, eu posso dizer bem Zeca Pagodinho que ‘não tenho tudo que preciso, mas com o que tenho vivo, e de mansinho lá vou eu.’ Ainda diria mais: amo tudo que tenho.

Eu amo poder ser alegre, sorrir. E poder ser triste sem cobranças. E nem feliz nem infeliz, apenas vivendo e sendo e procurando fazer um dia ser melhor que o outro.

Ser livre, amo poder andar por aí sem pensar em nada, sem me preocupar com nada além do que me deve preocupar. Amo as pessoas com quem convivo, o ambiente do meu trabalho. Amo minha família com todos os defeitos que toda família tem que ter, e amo meu bairro. Amo a forma como as coisas acontecem, amo os micos que pago e as aventuras que vivo que – tenho CERTEZA – um dia vão fazer um livro, personagens de brinquedo e mandar como surpresa de Kinder Ovo. Amo poder dizer para pessoas que me são importantes coisas que outras não entenderiam, e ser compreendida, e apoiada, sem por quês. Amo ter finalmente uma amiga com quem posso dividir roupas como irmã, e com quem posso contar independente REALMENTE de QUALQUER COISA NO MUNDO INTEIRO, e ter sempre a certeza absoluta de que NUNCA vou precisar me preocupar realmente enquanto ela estiver aqui. Eu tenho muitos amigos assim, mas com nenhum outro divido roupas como irmã, entendam. E eu amo ter que me explicar para não causar ciúme. Eu amo descobrir formas diferentes de fazer as mesmas coisas, e preferir assim. Amo aprender a conhecer o que me é curioso, e a me desinteressar do que não me agrada sem peso na consciência. Amo o amor novo de novo, renascendo todos os dias. Amo a saudade e a presença, amo meu vazio e meu rodeado de gente boa. Amo as loucuras, as viagens, os shows, as baladas, as cervejas de quase todos os dias e as risadas diárias que arrancam lágrimas que saem limpando o que há de ruim na alma! E amo as lágrimas tristes, que caem puxando o que tem de bom com a mão e deixando tudo num vazio dolorido de não saber por quê. As amo pois ensinam. Ensinaram hoje. Vão ensinar até o fim da minha vida. Minha vida que se mostrou pra mim um oceano inteiro a ser descoberto – e que nunca será.

Eu amo o não saber como. Prefiro sentir.

Por isso gostei do título do livro, mesmo não tendo nada a ver com o post: O triste fim do pequeno menino ostra. Mas acho que eu mudaria só para “O fim da menina ostra”.

Assim. Nem alegre nem triste. Não mais ostra, nem ainda pérola.

Só.

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3 Responses to “O triste fim do pequeno menino ostra”


  1. 1 fran 24/02/2010 às 10:20

    arrepiei e sim quase chorei, oooo amiga molona que vc tem heim?!!!! amo vc pelo simples fato de ter surgido na minha vida

  2. 2 Shane 24/02/2010 às 10:39

    Muito bom Muris!
    Gostei muito do modo que vc colocou suas idéias. E é assim mesmo, vamos aprendendo sempre mais sobre nós mesmo com o pssar do tempo, com os erros e acertos. E fora q o humor no texto do tipo Zeca pagodinho e Kinder ovo é o máximo né? HAUEHUAHEUAHEUAHEU eu ri. rsrs
    Adorei!
    XoXo ;**********

  3. 3 Carol 24/02/2010 às 12:18

    *_____*

    Lindo!

    “Nem ainda pérola”, imagina quando for =)


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